Estes versos miudinhos são meus e dele. Desculpem-me a ousadia mas há palavras que nos beijam como se tivessem boca, palavras que nos abraçam e fazem mais curtas as distâncias. Palavras há que sentimos mais nossas, como aquela música que um dia ouvimos juntos e ficará entranhada.
Hoje, a caminho de casa, lembrei-me que tinha algo ainda por fazer, um ATÉ JÁ prezo na garganta. Por isso hoje, e perdoe-me ele a ousadia, vai para outro alguém. Vai para alguém a quem a vida nos mudou, a quem os caminhos nos fizeram seguir mais distantes, mas sempre com uma estranha proximidade. Aquela que nos traz o amor à lembrança, aquela que nos impede de esquecer, mesmo que os dias vão passando por nós. Hoje vai para alguém a quem um “não” não pára. Hoje vai para alguém cujo sorriso contamina. Vai para alguém cuja falta sinto, tal como sentia quando estava a dez quilómetros de distância.
São agora dois mil quilómetros, apenas um PULO.

E porque GOSTO DE TI, mais do que talvez acredites. E porque sempre senti e sinto a tua falta. Por isso tudo e tudo o mais que fica a apertar o coração e a saudade, aqui vai:
A janela abriu-se e viu, no rio,
um barco à vela.
Janela: Leva-me contigo,
Barco: Espera por mim.
Janela: Fica tu comigo,
Barco: Não consigo.
E partiu
rio acima.
Embaciaram-se os vidros da janela
que soltou as cortinas
a acenar, a acenar
para a esteira de espuma do barco à vela
a escoar-se na neblina.
Tempo passou.
O barco pois claro que voltou.
Tinha de voltar.
Mal o viu,
na esquina do olhar,
a janela abriu-se de par em par.
Esta história chegou
ao tempo de acabar.
Mas cá para mim, disse a janela,
nunca vai terminar.
Eu sigo, disse o barco.
Eu fico, disse a janela.
E gritou:
Estás ancorado no meu olhar.
As minhas vidraças embaciadas
são o teu lugar cativo.
Para onde quer que vás
hás-de ficar,
comigo.
António Torrado

Obrigada pelo calor…
Pela saudade… Pela declaração… Pela sensação de importância que me trazes…
Gosto de ti.
“o amor é saber que a amizade também é amar”