Pedaços de mim

Pedaços de mim e do que me rodeia… Palavras soltas… Retalhos…

A janela e o barco à vela 06/01/2009

Arquivado em: escritos, espírito, fugas, leitura, mundo — jo @ 17:38

Estes versos miudinhos são meus e dele. Desculpem-me a ousadia mas há palavras que nos beijam como se tivessem boca, palavras que nos abraçam e fazem mais curtas as distâncias. Palavras há que sentimos mais nossas, como aquela música que um dia ouvimos juntos e ficará entranhada.

 

Hoje, a caminho de casa, lembrei-me que tinha algo ainda por fazer, um ATÉ JÁ prezo na garganta. Por isso hoje, e perdoe-me ele a ousadia, vai para outro alguém. Vai para alguém a quem a vida nos mudou, a quem os caminhos nos fizeram seguir mais distantes, mas sempre com uma estranha proximidade. Aquela que nos traz o amor à lembrança, aquela que nos impede de esquecer, mesmo que os dias vão passando por nós. Hoje vai para alguém a quem um “não” não pára. Hoje vai para alguém cujo sorriso contamina. Vai para alguém cuja falta sinto, tal como sentia quando estava a dez quilómetros de distância.

São agora dois mil quilómetros, apenas um PULO.

 

 

E porque GOSTO DE TI, mais do que talvez acredites. E porque sempre senti e sinto a tua falta. Por isso tudo e tudo o mais que fica a apertar o coração e a saudade, aqui vai:

 

 

A janela abriu-se e viu, no rio,

um barco à vela.

Janela: Leva-me contigo,

Barco: Espera por mim.

Janela: Fica tu comigo,

Barco: Não consigo.

 

E partiu

rio acima.

Embaciaram-se os vidros da janela

que soltou as cortinas

a acenar, a acenar

para a esteira de espuma do barco à vela

a escoar-se na neblina.

 

Tempo passou.

 

O barco pois claro que voltou.

Tinha de voltar.

 

Mal o viu,

na esquina do olhar,

a janela abriu-se de par em par.

 

Esta história chegou

ao tempo de acabar.

Mas cá para mim, disse a janela,

nunca vai terminar.

 

Eu sigo, disse o barco.

Eu fico, disse a janela.

E gritou:

Estás ancorado no meu olhar.

As minhas vidraças embaciadas

são o teu lugar cativo.

Para onde quer que vás

hás-de ficar,

comigo.

 

 

António Torrado


 

2 Responses to “A janela e o barco à vela”

  1. Biscoita Says:

    Obrigada pelo calor…
    Pela saudade… Pela declaração… Pela sensação de importância que me trazes…

    Gosto de ti. :)

  2. jo Says:

    “o amor é saber que a amizade também é amar”


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