Pedaços de mim

Pedaços de mim e do que me rodeia… Palavras soltas… Retalhos…

brincador 23/01/2009

Arquivado em: ESE, educação, leitura — jo @ 18:53

 

Foi este o texto que me levou ao “muita bom”. Gosto dele há muito tempo, há muito tempo.

 

Quando for grande, não quero ser médico, engenheiro ou professor.
Não quero trabalhar de manhã à noite, seja no que for.
Quero
brincar de manhã à noite, seja com o que for.
Quando for grande, quero ser um
brincador.
Ficam, portanto, a saber: não vou para a escola aprender a ser um médico, um engenheiro ou um professor.
Tenho mais em que pensar e muito mais que fazer. Tenho
tanto que brincar, como brinca um brincador, muito mais o que sonhar, como sonha um sonhador, e também que imaginar, como imagina um imaginador… A minha mãe diz que não pode ser, que não é profissão de gente crescida.
E depois acrescenta, a suspirar: “é assim a vida”.
Custa tanto a acreditar. Pessoas que são capazes, que um dia também foram raparigas e rapazes, mas já não podem brincar.
A vida é assim? Não para mim. Quando for grande, quero ser um brincador.
Brincar e crescer, crescer e brincar, até a morte vir bater à minha porta.
Depois também, sardanisca verde que continua a rabiar mesmo depois de morta.
Na minha sepultura, vão escrever:
Aqui jaz um brincador.

Álvaro Magalhães

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3 Responses to “brincador”

  1. sara Says:

    Texto lindo:)

    Bela leitura:P

    Dia de tudo para mim:)

    Dia em que nos livrámos de mais uma batalha, melhor, pior, já forammmmmm..

    beijinho

  2. jo Says:

    “devo dizer que há muito tempo que não ouvia uma estagiária ler tão bem, os meus parabéns”
    ;)

  3. Pi Says:

    Andava eu na quarta classe e fiz uma redacção
    sobre o que eu queria ser um dia quando crescesse

    Quero ser um marinheiro, sulcar o azul do mar
    vaguear de porto em porto até um dia me cansar
    quero ser um saltimbanco, saber truques e cantigas
    ser um dos que sobe ao palco e encanta as raparigas

    A sessôra chamou-me ao quadro e deixou-me descomposto
    Ò menino atolambado, que gracinha de mau gosto

    Lá fiz outra redacção, quero ser um funcionário
    ser zeloso, ter patrão, deitar cedo e ter horário
    ser um barquinho apagado sem prazer em navegar
    humilde, bem comportado, sem fazer ondas no mar

    A sessôra bateu palmas e deu-me muitos louvores
    apontou-me como exemplo e passou-me com quinze valores

    Música: Rui Veloso
    Letra: Carlos Tê
    In: “Mingos e Samurais”


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