Pedaços de mim

Pedaços de mim e do que me rodeia… Palavras soltas… Retalhos…

deslealdade 08/01/2009

Arquivado em: escritos, espírito — jo @ 15:37

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Desculpem o tradicionalismo mas não aceito traições. Não acredito no vou ali e já volto, é só por hoje e pela manhã voltarei a ser quem era, não acredito… Podem chamar-me antiquada, fora de época ou de mente fechada. Mas a verdade é que acredito no amor. Acredito nas mil e uma formas de amar, incondicionalmente, abertamente, coloridamente, respeitosamenteplatonicamente, à distância ou apenas sexualmente. Acredito por isso que cada um de nós pode amar inúmeras pessoas e com estas ter relações com contornos diferentes. Mas compromissos, meus amigos?! Compromissos são compromissos. Se querem ter dois amigos coloridos, um assim-assim e um outro para as férias, tenham. Aproveitem a vida! E digo-o com a maior das sinceridades. Mas com compromissos é outra história…

Compromissos exigem entrega, partilha a cem por cento, disponibilidade. Exigem a abertura da nossa vida para outro alguém.

Por isso digo que namorar, casar, envelhecer ao lado de alguém não é para todos. E nisso não há nada de mal!

Pessoalmente, gosto muito mais da ideia de partilhar a vida… mas isso, isso são opiniões…

 

A janela e o barco à vela 06/01/2009

Arquivado em: escritos, espírito, fugas, leitura, mundo — jo @ 17:38

Estes versos miudinhos são meus e dele. Desculpem-me a ousadia mas há palavras que nos beijam como se tivessem boca, palavras que nos abraçam e fazem mais curtas as distâncias. Palavras há que sentimos mais nossas, como aquela música que um dia ouvimos juntos e ficará entranhada.

 

Hoje, a caminho de casa, lembrei-me que tinha algo ainda por fazer, um ATÉ JÁ prezo na garganta. Por isso hoje, e perdoe-me ele a ousadia, vai para outro alguém. Vai para alguém a quem a vida nos mudou, a quem os caminhos nos fizeram seguir mais distantes, mas sempre com uma estranha proximidade. Aquela que nos traz o amor à lembrança, aquela que nos impede de esquecer, mesmo que os dias vão passando por nós. Hoje vai para alguém a quem um “não” não pára. Hoje vai para alguém cujo sorriso contamina. Vai para alguém cuja falta sinto, tal como sentia quando estava a dez quilómetros de distância.

São agora dois mil quilómetros, apenas um PULO.

 

 

E porque GOSTO DE TI, mais do que talvez acredites. E porque sempre senti e sinto a tua falta. Por isso tudo e tudo o mais que fica a apertar o coração e a saudade, aqui vai:

 

 

A janela abriu-se e viu, no rio,

um barco à vela.

Janela: Leva-me contigo,

Barco: Espera por mim.

Janela: Fica tu comigo,

Barco: Não consigo.

 

E partiu

rio acima.

Embaciaram-se os vidros da janela

que soltou as cortinas

a acenar, a acenar

para a esteira de espuma do barco à vela

a escoar-se na neblina.

 

Tempo passou.

 

O barco pois claro que voltou.

Tinha de voltar.

 

Mal o viu,

na esquina do olhar,

a janela abriu-se de par em par.

 

Esta história chegou

ao tempo de acabar.

Mas cá para mim, disse a janela,

nunca vai terminar.

 

Eu sigo, disse o barco.

Eu fico, disse a janela.

E gritou:

Estás ancorado no meu olhar.

As minhas vidraças embaciadas

são o teu lugar cativo.

Para onde quer que vás

hás-de ficar,

comigo.

 

 

António Torrado


 

tempo 17/12/2008

Arquivado em: escritos, tempo — jo @ 23:33

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Pode o tempo moer a alma.  Podem as mágoas fazer-se valer. Pode o sol mostrar-se insuficiente para o mais célere dos batimentos. A arritmia sufoca-nos o peito e tudo parece descarrilado.

Descarrilam emoções e contradições. Descarrilamos nós por entre os caminhos que docemente traçámos.

E alguém nos diz para largar, para deixar ir. Alguém nos diz para cortar. Alguém nos diz para deixar a bateria acabar.

E nós, cientes do que somos, da pele que nos resguarda a alma, deixamo-nos ir. Damos um passo a seguir ao outro. Fechamos os olhos e acreditamos.

Lembramos por fim que a cada dia se torna mais fácil. Que por cada vez que damos um passo atrás, damos, mais rapidamente, dois à frente.

E com isso ainda vamos sumando umas pedras…

 

15/12/2008

Arquivado em: ESE, educação, escritos, espírito — jo @ 23:11

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

nojo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

procura-se 17/10/2008

Arquivado em: escritos — jo @ 17:34

… um curso/workshop em

escrita criativa

Alguém conhece?

 

uma pequena força 28/07/2008

Arquivado em: educação, escritos, espírito — jo @ 17:17

Vamos por partes.

A Vivi, como gosto de lhe chamar e como ela própria me pediu para o fazer, é uma menina grande de 7 anos, e este “grande” refere-se à altura e à força demonstrada, pela qual me apaixonei faz amanhã uma semana. Dela sabemos pouco…

Sabemos que nasceu no dia de Verão e a irmã no dia dos reis (21 de Junho e 6 de Janeiro, supomos nós… pois elas não sabem dizer o dia e o mês) e que distam apenas – se fizerem as contas conseguem acompanhar-me – 6 meses e pouco mais de 10 dias uma da outra. Tendo em conta que a Vivi tem 7 anos e a Ângela 6, a irmã mais nova terá sido “fabricada” logo depois da Vivi nascer e nascido muito prematura…

São adoptadas há pouco mais de um ano por um casal cujo colo é alvo preferido das duas ao final de um dia de colónia.

Enquanto a Ângela demonstra ser muito mais infantil do que a idade aponta, a Vivi comporta-se tal qual criança de 10 anos pronta a fazer estragos.

A primeira vez que travei conversa com ela foi à porta da casa de banho onde, depois de ela não ter respeitado a fila e ter sido muitíssimo mal educada, esperei uns bons minutos até que ela se decidisse a falar comigo. A muito custo lá consegui, dizendo apenas que tinha pena que ela demonstrasse não ter interesse em ouvir as pessoas, mesmo fazendo-o, pois as pessoas fartavam-se, e no fim acabaria por não ter tanta gente disposta a ouvi-la. Conversa feita, afastei-me, sempre amigavelmente.

Passado uns minutos, ao vir fazer queixinhas aos monitores sobre outra criança, tentei dar-lhe uma festa na mão, ao que ela prontamente a afastou. Fiz-lhe uma cara triste e disse-lhe que apenas lhe queria dar um mimo. Apontou-me logo as duas mãos denunciando querer mais…

Assim começou a nossa relação. Daí até querer ficar ao meu lado no autocarro foi um passo, até não me querer largar foi outro.

A Vivi não faz tudo o que eu digo à primeira, é preciso paciência. Mas a verdade é que nunca lhe gritei, nunca fui bruta, nunca desci ao nível dela, nunca lhe fiz aquilo que estão sempre a dizer para ela não fazer.

Segunda feira o seu comportamento não foi aconselhável mas terça e quarta foi melhorando, nunca deixando de ser um desafio à paciência de qualquer monitor. Ainda assim, quarta-feira, ao chegar à Junta de Freguesia, voltadas que estávamos de mais um dia de colónia, uma das monitoras responsáveis pela Vivi falou com o pai dela dizendo-lhe que há três dias que a filha se portava muito mal. A Vivi ouviu e calou… A mim caiu-me tudo… Tentando fazer aquilo que a Vivi estava à espera de mim e aquilo que eu considero correcto, disse ao pai, já depois da monitora se ter afastado, que apesar de algumas coisas más, o comportamento dela estava melhor a cada dia.

Não devo precisar de dizer muito para adivinharem como se comportou a Vivi no dia seguinte… Preciso?

Tudo o que tinha feito mal nos últimos três dias juntou tudo num só e arruinou a cabeça às suas duas monitoras. No final do dia, voltou a haver “queixinhas” ao pai e ela não voltou mais…

Agora pergunto… não percebem estas almas porque ela se portou mal ao quarto dia? Será assim tão difícil ver que se sentiu atraiçoada?

E o comportamento? Já repararam que se só falam com ela aos berros é assim que ela vai responder? Que se só nessas alturas lhe ligam alguma coisa, é assim que ela vai continuar a chamar a atenção?!

É triste… é triste ver pessoas responsáveis por crianças que a única coisa que pensam é no seu comodismo. As crianças não estão lá para nos facilitarem a vida! Nós é que estamos lá para garantir que se divertem e que o fazem em segurança!

A Vivi foi abandonada pela primeira família, vive agora com outra e parece estar condenada a ser abandonada por todos aqueles que a consideram um “trabalho”.

 

A Vivi não faz parte do grupo de crianças pelo qual sou responsável mas foi aquela que, pela sua força, me cativou. Nos olhos dela está o seu mundo, e só alguém muito distraído não o vê.

 

Dela sabemos pouco… mas sabemos que é uma força de vida, que é uma guerreira e que tem um abraço que sufoca o mais calmo dos corações.

 

Tenho saudades

 

Vivi, vens amanhã?

 

palavras soltas 21/06/2008

Arquivado em: escritos — jo @ 17:03