Pedaços de mim

Pedaços de mim e do que me rodeia… Palavras soltas… Retalhos…

Não importa só o talento… 29/09/2010

Filed under: escritos — jo @ 18:46

Ninguém nasce com talento. O talento educa-se como outra coisa qualquer. Há pessoas que não sabem fazer nada porque têm falta de cultura ambicional. Eu não sei se é assim que se escreve, se existe esta cultura ambicional, mas para os devidos efeitos, isto foi inventado agorinha mesmo. O que quero mesmo dizer, é que não existindo ambição, não existirá talento. As coisas não têm que ser feitas porque tem que ser. E vivemos num país onde a grande maioria das pessoas justifica a sua actividade, como se isso fosse uma penosa fatalidade. Pergunte-se: Então, senhor Joaquim, tem trabalhado muito? E é certinho que este nos responde: Pois, tem de ser.
É uma pena que trabalhar seja uma coisa que tem de ser. E se é certo que ajuda fazer aquilo que gostamos, fazer aquilo que não gostamos não tem que ser obrigatoriamente porque tem que ser. Podemos ser os melhores a fazer aquilo que gostamos, mas mais admirável do que isso, é sermos os melhores a fazer aquilo que não gostamos. Reparem só, eu gosto de escrever para este jornal, mas se tivesse que trabalhar no MacDonald’s, mesmo não percebendo nada de restauração, mesmo não gostando, eu queria ser o Funcionário do Mês. Com fotografia e tudo. Para toda a gente ver. Com os meus dentinhos brancos muito bem alinhados. Mas não, não podemos comer só o que queremos. Por vezes, temos que sorver a sopa toda e o peixe cozido que é o que há. Por vezes temos que ir mais cedo para a cama, porque amanhã se faz cedo. Eu gostava que imaginassem Isabel Alçada a dizer isto. Não soa bem? Não é maravilhoso?
Pois bem, o que daqui se conclui – e reparem na grande moral – é que temos que viver com os nossos defeitos e fazer deles características distintivas. Das nossas inabilidades, singularidades comentadas. Dos nossos azares, o melhor que nos podia ter acontecido. E o talento aparece exactamente aí, na forma inventiva, como conseguimos disfarçar que a comida é de ontem.
Falta cultura ambicional ou o quer que lhe chamem. Não importa só talento, o talento por si só, de nada serve. Eu bem sei que é nobre pensarmos que isso é mais importante do que ter ambição. Mas não me peçam para ter talento e depois não ganharmos o jogo. É preciso ganhar o jogo. Cerrar os dentes. Perceber que só a vitória interessa. Que o talento só não basta, que um jogo não se ganha só porque tem de ser.

Fernando Alvim

 

desafiando a gravidade 25/09/2010

Filed under: dança,espetáculos,mundo — jo @ 15:27

partilhas que se devem fazer, momentos a reter…

Deveria ter sido apenas uma surpresa a uma princesa mas foi muito mais do que isso!

Recomendo vivamente este espectáculo!!

Le Grand C, na Culturgest…

 

o amor é 20/09/2010

Filed under: espírito,leitura — jo @ 20:22

o amor é lançar um beijo ao vento e saber que tem destino,

é o que faz da distância um salto de duende,

é o eu estar aqui a dizer que gosto de ti…


José Jorge Letria

 

Filed under: espírito — jo @ 18:57

S A U D A D E S

maninho

 

tucanas

Filed under: espírito,música — jo @ 18:53

gosto tanto

 

18/09/2010

Filed under: música — jo @ 18:36

Úxia . Verdes são os campos

 

caminho

Filed under: escritos,espírito — jo @ 18:27

Tive dúvidas sobre se algum dia voltaria a escrever aqui. A voracidade dos dias, a vida citadina e agitada fizeram-me acelerar os meus próprios pensamentos (deixando quase de os escutar)… Depois de um ano de sobrevivência, de um ano de desafio e lutas constantes, vieram as tréguas… Foram momentâneas. Demasiado…

Dias depois da penúltima publicação veio uma onda, e outra, e outra, e mais uma. E eu mergulhei. Mergulhei para poder respirar, mergulhei para poder prosseguir.

Disseram-me uma vez que não era suposto deixar-me levar pela corrente. Que era suposto lutar pelo meu rumo. Mesmo que para isso tivesse de atravessar um revolto leito numa canoa danificada. Disseram-me uma vez que o triunfo estava do outro lado, numa praia… Numa fogueira… Disseram-me uma vez que no outro dia… No outro dia era preciso continuar a caminhar.

E eu caminhei.

Levo comigo a canoa, levo as pedras roladas pelas água. Levo comigo a brisa da praia, o quente da fogueira e as estrelas que a acompanhavam.

Levo comigo a certeza de  que os rios foram feitos para atravessar, a certeza de que os caminhos foram feitos para trilhar.