Pedaços de mim

Pedaços de mim e do que me rodeia… Palavras soltas… Retalhos…

gosto 21/02/2010

Filed under: espírito — jo @ 23:16

Gosto de cafonés. Gosto de abraços. Gosto de sorrir. Gosto de bons dias logo pela manhã. Gosto de mãos. Gosto de olhar. Gosto de aprender. Gosto de conquistar. Gosto de olhar o mar. Gosto de gaivotas no ar. Gosto de sentir a música a entrar pelos ouvidos. Gosto da serra. Gosto de fogueiras. Gosto do quente. Gosto de sentir o sol na pele. Gosto de caminhar por trilhos. Gosto de desbravar. Gosto de partilhar. Gosto de me dedicar. Gosto de brincar com baldes de grão e feijão. Gosto de me deitar cansada. Gosto de acordar quando quero. Gosto de falar. Gosto de ler. Gosto de livros infantis. Gosto de boas ilustrações. Gosto de ensinar. Gosto de me organizar. Gosto de surpreender. Gosto de ser surpreendida. Gosto de nadar despida. Gosto de não ter marcas do sol na pele. Gosto de brincar com os meus anéis. Gosto de conduzir com e sem destino. Gosto de relógios. Gosto de viajar. Gosto da Europa. Gosto de café. Gosto de chávenas. Gosto dos Pastéis de Belém. Gosto de queijadas. Gosto de séries. Gosto de verde alface, de laranja, de roxo. Gosto de fotografar. Gosto de enviar postais e cartas. Gosto de os receber. Gosto de longas conversas. Gosto de tolerância. Gosto de pedidos de desculpa. Gosto de sexo. Gosto de gostar. Gosto de dizer que gosto de ti. Gosto…

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Hofesh Shechter Company 17/02/2010

Filed under: dança,espetáculos — jo @ 21:23

UPRISING/IN YOUR ROOMS

Adorei!

Duas peças numa mesma noite e uma estreia sublime.

Recomendo…

 

cântigo negro 10/02/2010

Filed under: escritos,leitura — jo @ 19:34

“Vem por aqui” – dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui!”
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali…

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
– Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha mãe

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos…

Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: “vem por aqui!”?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí…

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?…
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos…

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios…
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios…

Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou…
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!